Nascemos para amar! Amores de Verão!
- AvinteSaúde

- 31 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
por Dra. Cristina Alexandra Costa
"Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre."
Bocage, in 'Sonetos'

Já Bocage dizia que o ser humano nasceu para amar, e então, cedo ou tarde, irá procurar a sedução e o encanto que um amor consumado numa relação a dois pode proporcionar. Mas porque falamos aqui especificamente de Amores de Verão?
Em primeiro lugar, Junho é o mês da sua chegada(!), e depois porque muitas relações de amor iniciam-se nesta estação – o Verão! Não é ao acaso que numa pesquisa breve on-line sobre o tema se constata que a ideia é recorrente em muitas músicas e filmes, sejam atuais ou não…
Efetivamente Verão rima com liberdade do corpo e do espírito, rima com férias, com descontração e é um período, para muitos, rico em aventuras e encontros amorosos. A razão por que isto acontece parece ter o contributo de algumas teorias e condicionantes:
A redescoberta do corpo: sendo a estação quente, o corpo está mais exposto, a sua forma, cor e odor revela sensualidade e desperta sensações e atrações. Por outro lado, a pele bronzeada típica da época, sem rugas de preocupações, favorece a autoestima. Também, a nível fisiológico, a estação quente estimula as hormonas ligadas ao prazer como a serotonina – que regula, entre outras coisas, a ansiedade, o humor e a libido e por isso o individuo está mais predisposto para o outro no sentido romântico.
Mais tempo livre: A saída da rotina que as férias, ou simplesmente os fins de semana quentes desta estação, podem proporcionar, com esplanadas a abrir, com mais horas de luz, atividades novas e prazerosas, parques naturais para passear e todo um manancial de oportunidades de fuga ao dia a dia, são tidos como elementos promotores de descoberta. Tudo isto faz do Verão uma estação favorável a conhecer pessoas que nos agradam, reencontrar amigos e estreitar laços. A própria disponibilidade de tempo e disponibilidade emocional das pessoas para se cuidarem é maior (nomeadamente porque com as férias ficaram para trás as preocupações laborais), e reflete-se na felicidade e boa disposição que se vive.
Uma questão de luz. O sol influencia o comportamento humano em geral, e o seu metabolismo e biorritmos. Nos países mais solarengos e com mais horas de luz a expressão emocional é mais expansiva, o que se perceciona nos países latinos, enquanto que nos países do Norte da Europa (com menos horas de sol), essa característica é mais contida, o que reitera o referido anteriormente sobre a disponibilidade emocional e autoestima.
Estas são algumas das condições para que o Amor ande de mãos dadas com o Verão.
No entanto, pese embora que o Amor de Verão seja normalmente intenso e muitas vezes recíproco, algumas vezes não resiste à prova do tempo, da distância e da realidade. Com o fim do Verão, regressam as contingências do dia a dia. Aquele(a) que tinha agradado pela sua espontaneidade, jovialidade e espírito de aventura por vezes modifica-se e torna-se mais formal; a distância que muitas vezes existe impera e impede a consolidação da relação…
Mas, mesmo que alguns dos romances de Verão findem, eles permitem-nos aprender a conhecer e experimentar outras características que desconhecíamos em nós mesmos e a crescer emocionalmente porque as experiências de vida são oportunidades de crescimento e desenvolvimento emocional.




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